Por mais que estivesse contrariado, tentei fazer do seu jeito. Por mais que não concordasse com seus motivos, eu os entendi, acreditando que eram justos e sem duvidar de sua veracidade. Eu realmente ia fazer tudo do jeito como você disse que gostaria. É verdade que sou um tanto transparente e que, em consequência disso, não consigo disfarçar meu humor nem meus sentimentos. Talvés por isso, ao ver em meus olhos que eu não queria te deixar sozinho em meio à tantas companhias maltrapilhas e desdenhosas, você tenha me pedido para te acompanhar por alguns minutos. Tentei relutar, na esperença de manter o pouco do que sobrara da convicção das minhas decisões nesses últimos 6 meses. Mas, não deu. Como sempre, acabei cedendo aos seus murmurados pedidos e lá se ia o resto da minha moral.
Durante o caminho, tentei usar o vento gelado e o frio que ruborizava nossos rostos para disfarçar minha auto-indignação e te convencer de que estava tudo bem e que na manha seguinte arcodariamos como nas manhas daquele saudoso primeiro mês de namoro. Acredito ter funciado.
Após me despedir, desci as escadas me sentindo um tanto quanto estranho. Não sabia definir o que sentia naquele momento. Sentia saudades de você, queria te amar desesperadamente alí mesmo no chão, sem qualquer pudor. Mas também deseja chorar e em meio às lágrimas te dar umas boas palmadas e dizer um turbilhão de coisas retidas pelo filtro que ficava entre minha cabeça (ou coração?) e minha boca.
E então, respirei fundo, escolhi uma música qualquer para embalar minha caminhada e com um cigarro já asceso, fui embora, disfarçando minha tristreza, meu medo, minha insegurança e meu amor.